Negócios & Transações

M&A no Brasil: valuation, riscos e tecnologia ganham protagonismo no M&A Connect

Especialistas destacam a evolução do mercado de fusões e aquisições no Brasil, com foco em valuation, segurança jurídica, tecnologia e novos movimentos no setor de agro e alimentos

As discussões da segunda trilha de painéis do M&A Connect elevaram o nível técnico do debate ao focar nos pilares fundamentais de execução e segurança das transações. O bloco reuniu especialistas para analisar como o mercado de fusões e aquisições no Brasil vem evoluindo diante de um ambiente mais complexo, marcado por incertezas econômicas, maior rigor técnico e necessidade de estruturas mais robustas.


Ao longo das sessões, ficou evidente que a maturidade do setor exige um olhar que ultrapassa o fechamento do contrato, priorizando a sustentabilidade dos negócios, a proteção jurídica e a criação de valor no longo prazo.

Valuation em M&A: a diferença entre preço e valor

O painel “Casos Reais de M&A: Visão de Mercado, Desafios e Estratégias” — que contou com as perspectivas de Francisco D’Orto (Sócio de valuation da Crowe) e Barbara A. Raymundo (Sócia da Oria Capital) — explorou a complexidade de avaliar ativos em um cenário global instável, reforçando a importância de separar preço de valor nas transações.

Francisco D’Orto destacou a necessidade de uma abordagem mais construtiva:

“Falar dos problemas e das dificuldades é sempre um tema que provoca, mas achei interessante em vista do nosso cenário global uma visão mais positiva, o que nós temos de práticas positivas para falar”.

A análise foi complementada por Barbara A. Raymundo, que trouxe a perspectiva de longo prazo das transações: “pra avaliar se aquele M&A deu certo ou não, nós só vamos saber na saída, depois de 5 a 10 anos quando a gente vai vender”.


Riscos tributários e o papel dos seguros em M&A


O painel sobre garantias destacou como o mercado tem buscado soluções para mitigar riscos e viabilizar transações, especialmente diante da complexidade fiscal brasileira. A discussão foi moderada por Ettore Botteselli (Sócio de M&A do Martinelli Advogados) e contou com a participação de Andoni Hernández Bengoa (Presidente Executivo Brasil & LATAM Regional Counsel da Howden Broking Group), Andre Franchini Giusti (M&A Underwriter da RiskPoint) e Claudia Freitas (Sócia de Tax do Martinelli Advogados).


Claudia Freitas apontou o impacto direto do risco tributário:
“aqui no Brasil diversas operações acabam não seguindo por causa dos riscos tributários”.


Segundo ela, instrumentos como seguros têm ganhado relevância nas negociações:
“um dos benefícios do seguro é criar pontes entre comprador e vendedor”.


Tecnologia impulsiona o mercado de M&A no Brasil


No painel setorial focado em Tecnologia, o debate foi mediado por Alon Sochaczewski (Founder & CEO da Pipeline Capital), com as participações de Alex Anton (Executive Director & CSO da Starian) e Julio Piña Rodrigues (Managing Director da Gulf Capital Partners), analisando o papel da inovação como motor das teses de investimento.


Alon Sochaczewski foi direto:
“tecnologia é o motor de transformação em qualquer tese de investimento atual”.


Ele também destacou a ampliação do escopo das operações:
“somos uma empresa que faz M&A de tech, agora estamos também off tech. Somos tão tecnológicos que olhamos o mundo on e off tech”.


Complementando a análise, Barbara A. Raymundo (Sócia da Oria Capital) ressaltou uma característica central do setor:
“no mercado de tecnologia o cliente é um dos poucos em que ele é conhecido como usuário também”.


O Private Equity como indutor de eficiência nas teses de M&A


O debate sobre o papel estratégico do Private Equity — mediado por Fabio Pires (Managing Director da Alvarez & Marsal) e com a participação de Cezar Aragão (Managing Director da Vinci Compass), Matteus Marchioni (Private Equity Executive Director do BTG Pactual) e Tiago Andrade (Senior VP, Head of PE da Partners Group) — destacou como a governança e a preparação antecipada aceleram a liquidez dos ativos. Tiago Andrade enfatizou a adoção da Sell-Side Diligence não apenas como uma formalidade, mas como uma ferramenta de racionalidade econômica.


“Fazemos Sell-Side Diligence por padrão porque é o que usamos no mercado europeu e EUA, mas não só porque é padrão, mas porque é o que faz sentido”, explicou Andrade.


Segundo ele, essa diligência prévia pelo lado do vendedor é determinante para o sucesso do exit: “Fazer essa análise na saída ajuda a equalizar a avaliação, não tem nada a mais para se colocar na negociação, o preço é aquele e finalizamos o negócio muito mais rápido”.


Agro e alimentos: oportunidades e consolidação no M&A


O fechamento da trilha ficou por conta do painel “M&A Setorial: Agro & Alimentos e Bebidas: O novo mapa competitivo do setor: Desafios e Perspectivas”, com moderação de Luciana Felisbino (Sócia do Madrona Advogados) e as participações de Alexandre Biagi (CEO da Uberlândia Refrescos) e Karim Pechliye (Sócio da IGC Partners).


A discussão indicou que, apesar da percepção de maior pressão no setor, o mercado segue ativo e com oportunidades relevantes. Karim Pechliye destacou:


“dava a sensação de que o agro estava passando por um cenário difícil, mas quando olhamos de perto, vemos várias oportunidades e deals sendo anunciados o tempo inteiro”.


Ele também resumiu a dinâmica de consolidação:
“o agro nunca cai — a produção agrícola do Brasil nunca cai, ela troca de mão”.


Na visão operacional, Alexandre Biagi destacou o papel da execução nas transformações:
“o fundamental foi a agilidade: decisões são tomadas em segundos, muito rápidas. Isso fez toda a diferença na transformação da companhia”.