Disputas

Filasa 2026: IA e prevenção jurídica transformam departamentos legais

Painel reuniu executivos do Barreto Veiga Advogados, Panasonic e da TOTVS para discutir como tecnologia, inteligência artificial e gestão estratégica estão transformando a atuação jurídica nas empresas

A transformação digital e a busca por uma atuação cada vez mais estratégica dos departamentos jurídicos estiveram no centro das discussões do painel “Prevenir ou Remediar? O Verdadeiro Custo das Decisões Jurídicas“, realizado durante a 7ª edição do FILASA (Financial & Legal Innovation Summit & Awards), considerado o maior encontro dos mercados jurídico e financeiro do Brasil.

Mediado por Gustavo Quedevez, sócio do BVA – Barreto Veiga Advogados, o debate contou com a participação de Lígia de Caro Rocha, Legal Manager da Panasonic LATAM, e Patrícia Vietri Thomazelli, Chief Legal Officer da TOTVS, que compartilharam experiências sobre gestão de riscos, legal ops, inteligência artificial e o papel cada vez mais preventivo das áreas jurídicas.

Ao abordar a evolução da função jurídica dentro das empresas, Patrícia destacou uma mudança significativa na forma como os departamentos atuam.

“Antes víamos um jurídico muito mais reativo. Hoje, existe uma agenda muito mais voltada para a prevenção, permeando desde a área consultiva até a contratual e a gestão do contencioso”, afirmou.

Segundo a executiva, embora seja impossível eliminar completamente os riscos, as organizações têm amadurecido sua capacidade de aprender com os eventos passados e transformar esse conhecimento em mecanismos preventivos.

“Não conseguimos mapear 100% dos riscos nem nos precaver o tempo todo, mas a maturidade está em aprender com os eventos e transformar esse aprendizado em prevenção.”

A executiva também ressaltou que a gestão de riscos deixou de ser uma responsabilidade exclusiva das áreas jurídicas e de compliance, tornando-se um tema transversal dentro das companhias.

“Essa discussão deixou de ser exclusiva do jurídico e do compliance. Hoje, ela permeia diversas áreas da companhia de forma muito mais estruturada e madura.”

Inteligência artificial como ferramenta de geração de valor

Durante o painel, Patrícia destacou o papel da inteligência artificial na captura e disseminação do conhecimento corporativo, ampliando a capacidade das empresas de transformar informações internas em valor estratégico.

“O benefício mais interessante é o quanto conseguimos capturar da inteligência interna da companhia e transformá-la em valor para o negócio.”

Na visão da executiva, o sucesso da transformação digital passa pela democratização da tecnologia dentro das organizações.

“A tecnologia precisa estar dentro das áreas e dos departamentos. O desafio não é apenas ter especialistas em tecnologia, mas fazer com que ela permeie toda a organização.”

Como exemplo, Patrícia apresentou a estratégia adotada pela TOTVS para ampliar o acesso à inovação.

“Nossa plataforma de IA foi desenvolvida para que qualquer profissional possa criar soluções de forma orgânica, sem precisar ser desenvolvedor ou especialista em tecnologia, sempre com governança e segurança da informação.”

Desafios do contencioso brasileiro impulsionam inovação

Representando a Panasonic LATAM, Lígia de Caro Rocha destacou os desafios enfrentados por empresas multinacionais ao lidar com o elevado volume de litígios no Brasil, especialmente quando comparado a outras regiões.

“Sempre que apresentamos nossos números à matriz japonesa, há um choque com o volume de processos no Brasil. Isso reforça a necessidade de termos autonomia e agilidade para tomar decisões na área contenciosa.”

Segundo ela, a realidade brasileira exige uma adaptação dos modelos tradicionais de tomada de decisão, especialmente em empresas com culturas corporativas mais conservadoras.

“Quando falamos de empresa japonesa, há uma cultura de decisões muito colegiadas, mas o contencioso brasileiro exige agilidade. Por isso, temos autonomia para contratar legaltechs e adotar novas tecnologias que nos ajudem a entender melhor os dados e a gestão dos processos.”

A executiva também destacou que a inovação tecnológica vem ganhando espaço crescente na gestão jurídica da companhia.

“Nos últimos quatro anos, temos investido na contratação de legaltechs para apoiar a gestão do contencioso, e agora já estamos testando novas soluções de inteligência artificial para ampliar essa capacidade.”