Disputas

Ex-Tauil & Chequer anunciam novo escritório C Motta Advogados

Carlos Motta e Guilherme Tranquillini fundam novo escritório com foco em direito societário e mercado de capitais através do uso da inteligência artificial

Os advogados Carlos Motta e Guilherme Tranquillini anunciaram a saída do Tauil & Chequer para fundar o C Motta Advogados. Com foco em direito societário e mercado de capitais, o novo escritório inicia as atividades atendendo empresas de setores como concessões rodoviárias, tecnologia, consumo, fundos de investimento, locação de equipamentos, saúde e energia. A sede, localizada na região da Faria Lima, ainda passa por obras.

Para compor uma equipe de perfil sênior, também deixaram o escritório associado ao Mayer Brown os advogados Isabela Gonçalves Franco e Thiago Coimbra. O time conta ainda com Paulo Bento, ex-Madrona, responsável pela área tributária, e João Pedro Ramos Pinha, encarregado de integrar soluções de inteligência artificial à prática jurídica.

O escritório pretende operar como uma banca “full stack AI”, incorporando a inteligência artificial em diferentes etapas da atividade jurídica — da produção de documentos à análise e suporte à tomada de decisões. A proposta vai além do uso da tecnologia como ferramenta de produtividade, comum em tarefas como pesquisa jurídica, revisão de documentos ou padronização contratual.

Segundo Carlos Motta, a diferença está na forma de utilização da tecnologia. O advogado afirma ter dedicado mais de três anos ao treinamento de um agente de IA para replicar seu próprio raciocínio jurídico. “Hoje a ferramenta funciona como um par digital. As respostas seguem o mesmo padrão de análise de um sócio sênior, e não apenas resultados genéricos. Em geral, reviso e faço pequenos ajustes, mas cerca de 95% da demanda já vem estruturada”, afirma.

Com a tecnologia, o causídico garante fazer hoje, em poucas horas, documentos que normalmente tomariam semanas, a partir do histórico acumulado de análises e demandas feitas por ele mesmo e da experiência de mais de 30 anos com a qual o novo sistema foi alimentado. “No caso de um memorando complexo para um controlador estrangeiro em inglês, eu fiz em sete horas o trabalho que duraria 15 dias”, exemplifica.

Na prática, a inteligência artificial também é utilizada para testar exposição regulatória em operações envolvendo companhias abertas, simular riscos societários e reputacionais em transações de M&A e revisar estruturas de governança corporativa. Motta afirma que a tecnologia não substitui o julgamento jurídico, mas amplia a capacidade de análise e consolidação técnica antes da decisão final.