A rápida evolução da inteligência artificial e seus impactos na rotina dos departamentos jurídicos foram os principais temas do painel “Precisão, Previsibilidade e Performance: O Jurídico Aumentado por IA”, realizado durante a 7ª edição do FILASA (Financial & Legal Innovation Summit & Awards).
Mediado por Bernardo de Oliveira Castro, sócio e COO da Ernesto Borges Advogados, o painel contou com a participação de André Félix, Head Jurídico do C6 Bank, e Felipe Moreno, CEO do Jusbrasil. O debate reuniu especialistas para discutir como a tecnologia vem ampliando a eficiência das operações jurídicas e quais competências continuarão sendo diferenciais em um cenário cada vez mais automatizado.
Ao abordar a evolução da inteligência artificial aplicada ao Direito, André Félix destacou que a tecnologia passou, nos últimos anos, de uma ferramenta experimental para uma solução capaz de gerar resultados concretos dentro das organizações. Segundo ele, sistemas que antes apenas replicavam modelos padronizados hoje conseguem interpretar documentos, identificar temas jurídicos e produzir minutas processuais de forma mais sofisticada.
Apesar dos avanços, o executivo ponderou que a tecnologia ainda possui limitações e que o verdadeiro diferencial competitivo tende a migrar da ferramenta em si para a forma como ela é utilizada pelas empresas e profissionais. “Até que ponto a inteligência artificial jurídica deixará de ser um diferencial e passará a ser uma commodity disponível para empresas, startups e escritórios de advocacia?”, questionou.
Tecnologia tende a se tornar infraestrutura básica
Na avaliação de Felipe Moreno, a discussão sobre inteligência artificial já não gira em torno de sua adoção, mas da capacidade das organizações de se adaptarem às transformações que ela promove.
O executivo comparou a IA ao Excel, ferramenta que inicialmente parecia restrita a especialistas, mas que se tornou indispensável para profissionais de diferentes áreas. “A inteligência artificial é o novo Excel: hoje parece algo para poucos, mas em breve será uma ferramenta básica e indispensável para todo profissional”.
Segundo Moreno, a tecnologia deverá se tornar cada vez mais acessível, tornando a capacidade de adaptação e o aprendizado contínuo fatores essenciais para empresas e equipes jurídicas.
O valor está na aplicação da ferramenta
Ao discutir a adoção de soluções de inteligência artificial no ambiente corporativo, André Félix defendeu uma abordagem pragmática. Para ele, o foco das organizações deve estar nos ganhos de produtividade, eficiência e melhoria dos processos, e não na escolha de uma ferramenta específica.
O executivo ressaltou que o papel dos departamentos jurídicos é compreender profundamente o negócio, traduzir suas necessidades para parceiros e utilizar a tecnologia como meio para alcançar melhores resultados.
Félix também apontou que a inteligência artificial pode contribuir não apenas para a elaboração de peças processuais, mas também para a prevenção de litígios, o aprimoramento de produtos e o apoio à tomada de decisões estratégicas. “Não podemos nos apaixonar pela ferramenta; precisamos nos concentrar no resultado que ela é capaz de gerar”, destacou.
Dados e conhecimento tornam-se diferenciais competitivos
Outro ponto abordado durante o painel foi a crescente democratização da inteligência artificial. Para Felipe Moreno, o acesso à tecnologia deixou de ser o principal fator de diferenciação entre empresas. Segundo ele, a vantagem competitiva passa a estar cada vez mais associada à qualidade dos dados, ao conhecimento acumulado e à capacidade de conectar essas informações às novas ferramentas tecnológicas.
“A inteligência artificial está cada vez mais democratizada; o verdadeiro diferencial competitivo deixa de ser a tecnologia e passa a ser a qualidade dos dados e do conhecimento que a alimentam”, afirmou.
A tecnologia não substitui o fator humano
Ao encerrar o debate, André Félix destacou que, apesar dos avanços tecnológicos, habilidades humanas como ética, comunicação, empatia e construção de confiança continuarão desempenhando papel central na advocacia.
Para o executivo, o relacionamento entre advogados, clientes e áreas de negócio permanece fundamentado na confiança, elemento que a tecnologia não é capaz de substituir. “No final do dia, a advocacia continua sendo uma profissão baseada em confiança; a tecnologia muda processos, mas não substitui relações humanas”.
Ao longo do painel, os especialistas concordaram que a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta de potencialização da atividade jurídica. Em um cenário de rápidas transformações, a combinação entre tecnologia, conhecimento especializado e competências humanas tende a definir os profissionais e as organizações mais preparados para o futuro.


