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ESG

B3: Empresas listadas deverão ter mais diversidade nos conselhos

Anexo ASG entra em vigor neste dia 19 de agosto e traz norma sobre inclusão de mulheres e grupos sub-representados nos cargos de alta liderança

Imagem: Freepik

A B3 anunciou, em meados de julho, a aprovação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Anexo ASG com medidas para estimular a diversidade em cargos de alta liderança e o reporte de boas práticas ambientais, sociais e de governança pelas companhias listadas. As medidas entram em vigor neste dia 19 de agosto.

O mecanismo “pratique ou explique”, proposto para aplicação da norma, faz com que as empresas tenham que dar transparência ao mercado acerca das ações adotadas – ou explicar os motivos para sua não adoção.

“A mecânica adotada pelo modelo, ‘pratique ou explique’, induz a adoção de boas práticas pelas companhias listadas na B3, sem interferências na administração das empresas. Afinal, caso as companhias não adotem a medida, poderão explicar o motivo por não terem se adaptado. Ou seja, é uma forma de dar maior transparência aos investidores e promover um avanço escalonado na diversidade das companhias brasileiras”, disse, em nota, Flavia Mouta, diretora de Emissores da B3.

Segundo comunicado da B3, as companhias listadas devem eleger ao menos uma mulher e um integrante de comunidade sub-representada (pessoas pretas, pardas ou indígenas, integrantes da comunidade LGBTQIA+ ou pessoas com deficiência) para seu conselho de administração ou diretoria estatutária em até dois anos a partir da vigência do Anexo ASG. Com isso, as empresas terão até 2025 para comprovar a eleição do primeiro membro – ou apresentar justificativas para a não adoção da prática – e 2026 para o segundo membro.

“O Anexo ASG lançado pela B3 é mais um avanço em busca de um mercado brasileiro representativo. Agora, com a chancela da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as medidas que tinham um caráter educativo, passam a ser metas de médio prazo a serem atingidas pelas empresas de capital aberto, visto que, até 2026, as companhias de todos os níveis de listagem da bolsa deverão ter pelo menos uma mulher e um membro de ‘comunidade sub-representada’ na alta liderança”, comemorou, em entrevista ao Decisor Brasil, o headhunter Igor Schultz, sócio da Flow Executive Finders, empresa líder em recrutamento para posições de finanças segundo ranking da Leaders League.

O profissional classifica o critério “pratique ou explique” como “prudente” ao incentivar as organizações a se abrirem às diversidades organicamente.

“Nos últimos 2 anos, temos sido procurados pelas empresas – não apenas as de capital aberto – em busca de viabilizar o aumento da diversidade em seus conselhos de administração, o que é uma evidência de que o mercado como um todo já olha o tema com mais conscientização e não apenas para cumprir regras. De acordo com a experiência da Flow Executive Finders no recrutamento de cargos de alta liderança, o método é prudente, visto que as empresas poderão eleger profissionais qualificados para exercer as funções, processo que não pode ser feito de forma rápida e sem uma visão de longo prazo”, completou.