Inovação & PI

FILASA 2026: guia orienta avaliação de provedores de IA generativa no mercado financeiro

Executivos do Mercado Livre, ANBIMA, Alvarez & Marsal e Serur discutiram os desafios da IA, avaliação de fornecedores e os caminhos para a regulação da tecnologia no setor financeiro

A adoção crescente da inteligência artificial generativa e a necessidade de critérios robustos para avaliar fornecedores e mitigar riscos estiveram no centro das discussões do painel “Melhores Práticas para Avaliação de Provedores de IA Generativa para o Mercado Financeiro”, realizado durante a 7ª edição do FILASA (Financial & Legal Innovation Summit & Awards), no último dia 9, no WTC Events Center, em São Paulo. Considerado o maior encontro dos mercados jurídico e financeiro do país, o evento reuniu especialistas para discutir governança, due diligence, gestão de terceiros e os desafios da adoção responsável da IA no setor financeiro.

Mediado por Eduardo Serur, sócio e CEO da Serur, o debate reuniu Samanta Oliveira, DPO do Mercado Livre; Eduardo Magalhães, Managing Partner da Alvarez & Marsal; Marcelo Billi, Head de Sustentabilidade, Inovação e Educação da ANBIMA; e Fabrício da Mota Alves, sócio da Serur e presidente do Conselho Consultivo da ANATEL.

A conversa teve como ponto de partida a apresentação de um guia de melhores práticas voltado à avaliação de provedores de IA generativa, com foco na identificação de riscos, governança, compliance e gestão de terceiros no mercado financeiro.

Inteligência artificial ganha espaço no setor financeiro

Durante o painel, Samanta Oliveira destacou que a inteligência artificial já se tornou uma ferramenta estratégica para instituições financeiras, principalmente em atividades que exigem análise de grandes volumes de dados e tomada de decisões em tempo real.

Segundo a executiva, a construção do guia  foi resultado de mais de um ano de trabalho colaborativo entre especialistas de diferentes organizações.

“Trabalhamos durante um ano e três meses nesse projeto. Foram muitas conversas, debates e construções coletivas para chegarmos a um material que esperamos ser útil para todo o mercado.”

Ela ressaltou que a tecnologia já contribui para atividades como prevenção a fraudes, análise de crédito e fortalecimento da segurança da informação.

“Não é possível ter uma pessoa realizando análises de fraude ou de crédito em tempo real. A inteligência artificial gera eficiência operacional, auxilia na segurança da informação e contribui para a proteção das empresas e dos clientes.”

Avaliação de fornecedores passa a incluir riscos de IA

Para Eduardo Magalhães, a inteligência artificial representa uma nova etapa na evolução dos processos de avaliação de terceiros e fornecedores.

O executivo explicou que as empresas já incorporaram ao longo dos anos critérios ligados à sustentabilidade, compliance, privacidade e cibersegurança, e que agora começam a incluir aspectos relacionados à inteligência artificial.

“Há alguns anos as empresas avaliavam apenas aspectos financeiros e operacionais dos fornecedores. Depois vieram sustentabilidade, anticorrupção, privacidade e cibersegurança. Agora estamos vendo surgir uma nova frente relacionada à inteligência artificial.”

Segundo ele, embora o guia tenha sido desenvolvido com foco no setor financeiro, grande parte das recomendações pode ser aplicada por empresas de diferentes segmentos.

“O material aborda temas como compliance, privacidade, segurança da informação e gestão da cadeia de fornecedores. São questões que fazem parte da realidade de qualquer organização.”

Magalhães também observou que investidores e fundos internacionais já passaram a incluir a inteligência artificial em processos de due diligence e avaliação de ativos.

“Cada vez mais investidores querem entender como as empresas desenvolvem, controlam e mitigam riscos relacionados à inteligência artificial.”

Mercado demanda ferramentas para avaliar provedores de IA

Representando a ANBIMA, Marcelo Billi destacou que um dos principais desafios enfrentados pelo mercado é transformar conceitos de governança em ações concretas.

Segundo ele, especialmente para empresas menores, existe uma demanda crescente por ferramentas que auxiliem na implementação de boas práticas relacionadas à inteligência artificial.

“O que o mercado pede muitas vezes é uma ferramenta prática. Não basta apenas explicar os princípios ou os modelos de governança. É preciso mostrar como fazer.”

Para o executivo, o principal diferencial do guia é justamente oferecer orientações aplicáveis à realidade das organizações.

“O material ajuda especialmente aquelas instituições que ainda estão construindo sua maturidade nessa agenda e precisam de referências para começar.”

Apesar das diferentes visões sobre o papel da regulação, os participantes convergiram em um ponto: a expansão da inteligência artificial no mercado financeiro exige processos cada vez mais estruturados de avaliação de fornecedores, governança e gestão de riscos. Nesse cenário, iniciativas como o guia apresentado durante o FILASA buscam oferecer parâmetros práticos para que empresas adotem a tecnologia de forma segura e responsável