Negócios & Transações

Campos Thomaz Advogados anuncia Anne Chang como nova sócia de M&A, Venture Capital e Societário

Formada pela USP com passagens por Berkeley e LSE, nova sócia chega para estruturar uma prática de M&A e venture capital "client centered" e nativa em inteligência artificial.

O Campos Thomaz Advogados anuncia a chegada de Anne Chang como sócia das áreas de M&A, venture capital e direito societário. A entrada amplia a atuação do escritório em fusões e aquisições, rodadas de investimento e estruturação societária, frentes que acompanham a sofisticação crescente das demandas de empresas, investidores e empreendedores, aproximando a expertise transacional dos ecossistemas de tecnologia, fintechs e inteligência artificial que já marcam a atuação da banca.

Formada pela Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, Anne é mestre (LL.M.) pela University of California, Berkeley, e tem especialização em mercados financeiros pela London School of Economics (LSE). Ela passa a atuar na originação e na condução de operações societárias e de investimento do escritório.

Um escritório “nativo em tecnologia”

Para Anne, a escolha pelo Campos Thomaz neste momento da carreira tem relação direta com o perfil do escritório. “São profissionais altamente especializados em direito aplicado a tecnologia e têm experiência com clientes do setor”, afirma. Segundo ela, é comum no Brasil supervalorizar o jurídico interno como único cliente relevante de um escritório: “É muito comum nos EUA que Chief Legal Officers nem sejam advogados, mas aqui no Brasil temos essa mania de achar que o cliente do escritório é sempre o jurídico interno, e não é, há muita oportunidade em novos negócios e parcerias com outras áreas de empresas.”

Segundo Anne, o convite do escritório incluiu a estruturação de uma área de M&A e investimentos mais moderna, com o cliente no centro (client centered) e alinhada à tendência de remunerar o jurídico pelo valor agregado, e não pelo modelo tradicional de cobrança por hora. “A área já nasce com a vocação nativa de assessorar clientes na expansão de negócios, inclusive cross-border, já que tecnologia é reconhecidamente uma área que não respeita fronteiras geográficas ou físicas”, diz.

Prática “AI native”: nem automação, nem terceirização

Um dos pontos centrais da chegada de Anne é a construção de uma prática nativa em inteligência artificial dentro do escritório, conceito que, segundo ela, foge do que normalmente se entende por “uso de IA” na advocacia. Questionada se a proposta é voltada a clientes de IA ou à automação de processos internos, ela é direta: “Nenhum dos dois, na verdade.”

“Tradicionalmente, os escritórios usam IA para ‘otimizar’ processos ou ‘substituir’ mão de obra, e isso muitas vezes leva a uma visão míope”, explica. Escritórios AI native, modelo em discussão nos Estados Unidos, partem de uma lógica diferente: constroem os processos já considerando a IA como parte da estrutura, com humanos integrados nos pontos relevantes (human in the loop). “Ao invés de identificar um problema que um sócio imagina ter e procurar por soluções no mercado sem consultar a equipe, fazemos o oposto: entendemos as atuais práticas internacionais em escritórios e, com base nisso, entendemos como tropicalizar e integrar humanos”, afirma.

“Ao invés de usar IA para melhorar o trabalho humano, usamos o trabalho humano para melhorar a IA nos trabalhos que a IA consegue fazer minimamente”, resume Anne. Segundo ela, o objetivo é liberar tempo para o trabalho intelectual da equipe e tornar a cobrança do cliente mais eficiente, sempre com a prática sendo, em suas palavras, “tech powered” mas sempre “human centered“.

Juros altos, câmbio favorável e as apostas do venture capital no Brasil

“Os juros altos são sempre um desafio para o venture capital, mas ao mesmo tempo o câmbio torna o Brasil um mercado ‘barato’ de se investir”, avalia Anne sobre o momento do mercado brasileiro de M&A e venture capital, especialmente para empresas de tecnologia. “Claro, existe muito da mística do ‘custo/risco Brasil’, mas ainda somos um mercado estratégico que permite bastante consolidação por meio da aquisição de ativos”, complementa.

Para a sócia, o mundo está concentrado em inteligência artificial, área em que o Brasil ainda figura mais como usuário do que como criador de tecnologia, mas há oportunidades específicas: negócios ligados ao patrimônio genético brasileiro, mercados tipicamente nacionais como o PIX, investimento estrangeiro em infraestrutura local (data centers) e terras raras, além da importação de tecnologia para aumentar a competitividade de setores estratégicos, como robótica e automação no agronegócio. “E claro, há sempre muito espaço em sistemas e infraestrutura, inclusive tecnológica”, diz.

Regulação: menos “jabuticaba”, mais previsibilidade

Sobre os principais desafios regulatórios para investidores internacionais que buscam entrar no Brasil via M&A ou aportes de venture capital, Anne defende que o país tem se tornado mais flexível e amigável a estrangeiros, ainda que mantenha peculiaridades setoriais. “Há diversos movimentos acadêmicos e políticos no sentido de aumentar a interoperabilidade e previsibilidade de regras que são muito específicas”, afirma.

“Tem um pouco da síndrome do vira-lata de achar que as características de um mercado estrangeiro são sempre features e as nossas são sempre bugs. Nem o investidor estrangeiro trata nosso sistema dessa forma, mas é necessário também que os próprios operadores de direito tenham razoabilidade e cuidado quando apresentam características e contextos locais. Especificidades e problemas estão presentes em todas as jurisdições, não são privilégio nosso”, pondera a sócia.

Reforço estratégico para sustentar o crescimento

Para Alan Campos Thomaz, sócio fundador, a contratação responde ao volume e à complexidade crescentes das operações de M&A e venture capital ligadas à economia digital. “O escritório vem crescendo de forma consistente e, com esse crescimento, as operações de M&A e venture capital ligadas à economia digital ganharam volume e complexidade, com rodadas de investimento, fusões e reorganizações societárias cada vez mais conectadas a tecnologia, dados e regulação de plataformas”, explica.

“Já tínhamos uma prática transacional sofisticada, construída dentro da nossa atuação em tecnologia, fintechs e proteção de dados. O que fazia sentido neste momento era dar a essa frente robustez e dedicação exclusiva, com uma sócia que transitasse naturalmente entre o rigor transacional e o ecossistema de inovação”, afirma. “Anne reúne exatamente essa combinação: formação sólida em direito societário e mercados financeiros, experiência prática em operações complexas e proximidade real com startups, investidores e iniciativas de tecnologia. Não se trata apenas de ampliar a equipe, mas de aprofundar uma leitura de negócio que já orienta a nossa atuação e de sustentar o ritmo de crescimento do escritório em transações e investimentos.”

Due diligence societária e regulatória cada vez mais integradas

Alan também destaca como a chegada de Anne conecta a prática transacional à atuação regulatória já consolidada do escritório em fintechs, tecnologia e proteção de dados. “A chegada da Anne integra a prática transacional a uma atuação regulatória que já é consolidada. Boa parte das operações de M&A e venture capital que assessoramos envolve empresas de tecnologia, de startups a companhias de grande porte, além de fintechs e negócios intensivos em dados, o que exige combinar due diligence societária com a avaliação de riscos em proteção de dados, licenciamento de ativos, autorizações perante o Banco Central e conformidade com o marco de inteligência artificial em discussão no país, hoje orientado por uma lógica de risco”, afirma.

Com Anne à frente da originação e da condução dessas operações societárias, segundo o sócio fundador, a estruturação do negócio e o arcabouço regulatório passam a ser tratados de forma integrada, um ponto que ele considera especialmente relevante em operações cross-border e no soft-landing de empresas internacionais que se estabelecem no Brasil, “em que a decisão de investimento caminha junto com a estrutura societária, o modelo regulatório e a estratégia de dados”. Alan soma a isso o próprio perfil de inovação do escritório, incluindo o uso responsável de inteligência artificial na prática jurídica, que sustenta, em suas palavras, “uma assessoria que acompanha o cliente da tese de investimento à operação regulada”.

Sobre o escritório

O Campos Thomaz Advogados atua em questões transacionais, regulatórias e contenciosas, com atuação em tecnologia, M&A, venture capital, fintechs, privacidade e proteção de dados, inteligência artificial, propriedade intelectual e tech transactions. Seus clientes estão sobretudo nos setores de tecnologia, financeiro e saúde. Com um modelo de gestão e governança colaborativa, o escritório reúne profissionais de diferentes áreas para formar equipes especializadas conforme cada demanda