O Pessoa e Pessoa iniciou o ano com uma reorganização relevante em sua estrutura de liderança, em um movimento que reflete o amadurecimento institucional da banca e a estratégia de expansão desenhada nos últimos anos. Desde janeiro, Gustavo Galvão passou a ocupar a posição de managing partner do escritório, substituindo Valton Pessoa na condução executiva da gestão. Valton, por sua vez, assumiu essencialmente a função de presidente do conselho, afastando-se das atribuições administrativas do dia a dia para concentrar sua atuação em demandas estratégicas, de alta complexidade e valor agregado, com ênfase nos tribunais superiores.
A mudança marca uma nova etapa no processo de profissionalização da gestão do escritório, que vem buscando fortalecer sua governança, ampliar práticas jurídicas e consolidar um modelo institucional menos dependente de lideranças individuais e mais orientado por planejamento, integração de áreas e visão de longo prazo. O movimento ocorre em um momento em que grandes bancas brasileiras têm revisto seus modelos de atuação diante de um mercado jurídico mais competitivo, tecnológico e pressionado por entregas cada vez mais sofisticadas.
“Assumo a função de managing partner com o compromisso de garantir a execução dos objetivos estratégicos definidos para os próximos anos, preservando a essência técnica do escritório e criando as condições para um crescimento sustentável”, afirma Gustavo Galvão.
Segundo Galvão, o setor jurídico atravessa um ciclo de transformação intensa, profunda e acelerada, que exige dos escritórios uma nova forma de estruturar suas entregas. Para ele, a advocacia empresarial contemporânea demanda a combinação entre conhecimento jurídico de alto nível, tecnologia aplicada, leitura crítica de dados e compreensão cada vez mais próxima dos negócios dos clientes.
“O desafio não é apenas crescer, mas crescer com consistência, em um ambiente no qual os clientes passaram a exigir produtos jurídicos mais sofisticados, eficientes e conectados à realidade dos seus negócios. Isso exige alta capacidade técnica, uso inteligente de tecnologia e análise crítica de dados para apoiar decisões estratégicas”, diz Galvão.
A reorganização também reposiciona Valton Pessoa dentro da estrutura do escritório. Na presidência do conselho, ele passa a dedicar sua agenda prioritariamente à orientação estratégica da banca e à atuação em casos sensíveis, especialmente perante os tribunais superiores. A mudança busca reforçar uma das marcas tradicionais do Pessoa e Pessoa: a atuação jurídica em demandas complexas, com elevado grau de especialização e impacto relevante para clientes empresariais e institucionais.
“A atuação jurídica altamente estratégica continuará sendo o core business do escritório. A tecnologia é indispensável e agrega valor às entregas, mas ela potencializa — e não substitui — o julgamento jurídico, a experiência e a capacidade de construir teses consistentes em temas complexos”, afirma Valton Pessoa.
Na avaliação de Valton, a diferenciação dos escritórios de advocacia nos próximos anos dependerá da capacidade de integrar inovação à prática jurídica sem perder de vista o que sustenta a confiança do cliente em temas de maior relevância: profundidade técnica, visão estratégica e responsabilidade na condução das teses. Para ele, a tecnologia já se tornou parte incontornável da prestação de serviços jurídicos, mas seu uso deve estar a serviço da qualidade da solução apresentada.
A transição de liderança ocorre em paralelo a outro movimento de peso: a incorporação do antigo Dalazen, Pessoa e Bresciani ao Pessoa e Pessoa. Com atuação estratégica em São Paulo e Brasília, a banca reunia nomes reconhecidos, entre eles os ex-ministros Alberto Bresciani e Roberto Pessoa. A operação também simboliza o retorno de Roberto Pessoa, um dos fundadores do Pessoa e Pessoa, à estrutura do escritório.
A incorporação amplia a presença institucional da banca em centros decisivos para a advocacia empresarial e fortalece sua atuação em temas estratégicos, especialmente aqueles que exigem interlocução qualificada, experiência em tribunais superiores e capacidade de formulação jurídica em litígios de maior complexidade. A integração também reforça a ambição do escritório de atuar de forma mais coordenada em diferentes frentes, conectando práticas tradicionais a novas áreas de demanda crescente.
Nos últimos anos, o Pessoa e Pessoa vem estruturando a expansão de suas áreas de atuação para responder a mudanças regulatórias, tecnológicas e empresariais que afetam diretamente seus clientes. Entre as novas práticas jurídicas em desenvolvimento e consolidação estão tributário, empresarial, compliance e proteção de dados. A ampliação dessas frentes acompanha a demanda de empresas por assessoria jurídica mais integrada, preventiva e orientada à tomada de decisão.
A estratégia busca posicionar o Pessoa e Pessoa em uma etapa de expansão com governança mais robusta e atuação multidisciplinar. A banca pretende combinar sua tradição em litígios estratégicos com uma oferta mais ampla de serviços, em linha com a evolução do mercado jurídico e com a crescente complexidade das demandas empresariais.
Para Galvão, a institucionalização do escritório é um passo natural para assegurar continuidade, previsibilidade e capacidade de adaptação. “O escritório amadureceu como instituição. A profissionalização da gestão nos permite transformar conhecimento acumulado em estratégia, integrar melhor as áreas e preparar a banca para um ciclo de crescimento sustentável”, afirma.
A movimentação indica que o Pessoa e Pessoa pretende avançar em uma agenda de expansão sem abrir mão de sua identidade. O escritório aposta em uma combinação que tem orientado parte das bancas empresariais de maior projeção: governança profissional, fortalecimento de lideranças, atuação técnica de alta complexidade, presença estratégica em centros decisórios e incorporação de tecnologia à rotina jurídica.
“O futuro da advocacia passa por eficiência, tecnologia e dados, mas continuará sendo definido pela capacidade de compreender problemas complexos e entregar soluções jurídicas seguras, criativas e estrategicamente relevantes”, resume Valton Pessoa.


