Pessoas & Gestão

'36% dos consumidores querem minimizar seus impactos ambientais ao comprar uma peça de roupa'

Ana Luiza McLaren, fundadora do Enjoei, concede uma entrevista exclusiva para o Decisor Brasil, onde fala sobre sua carreira como empreendedora, o impacto do Enjoei entre os jovens e estratégias de marketing para crescimento do comércio de segunda mão

Como fundadora do Enjoei, poderia compartilhar um pouco sobre sua jornada empreendedora e os desafios que enfrentou ao estabelecer a plataforma?

O Enjoei foi fundado em 2009. A ideia surgiu da necessidade de criar uma plataforma onde as pessoas pudessem vender produtos usados de forma fácil e segura, promovendo a economia circular e sustentável. Tudo começou como um blog, mas identificamos a oportunidade de negócio e decidimos investir. Minha experiência em grandes varejistas na época em que o comércio eletrônico dava seus primeiros passos foi um ponto positivo para começar com o empreendimento. Apesar de inicialmente ser um blog, a nossa ideia sempre foi desenvolver o Enjoei para virar uma grande empresa. E os desafios foram diversos, em especial por ser uma mulher trabalhando no ramo de tecnologia, que é majoritariamente masculino. Hoje nós não somos apenas uma referência como a maior plataforma de itens de segunda mão do Brasil, mas também oferecemos uma oportunidade de renda extra para mais de um milhão de vendedores.

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Você poderia compartilhar suas reflexões sobre o impacto do Enjoei na mudança de hábitos de consumo, especialmente entre os jovens?

O Enjoei teve um impacto significativo na mudança de hábitos de consumo, especialmente entre os jovens. Quando começamos em 2009, comprar e vender roupas usadas. Sabemos que as gerações mais novas estão propondo grandes mudanças na sociedade – isso se reflete por meio de tudo que eles consomem, o que esperam das marcas e das empresas e de diversas outras formas. É possível notar nesse público uma preocupação ainda maior com o consumo consciente e os impactos que isso gera no futuro deles e do mundo. Quando começamos em 2009, comprar e vender roupas usadas ainda era um tabu e a nossa linguagem leve e divertida permitiu uma conexão genuína com esse consumidor. Com isso, o Enjoei rapidamente ganhou popularidade no Brasil e se tornou um dos principais marketplaces de produtos usados e de moda do país, saindo na frente quando o assunto é o incentivo ao consumo sustentável e responsável. Em um relatório de economia circular publicado pelo Enjoei, identificamos que 36% dos consumidores querem minimizar seus impactos ambientais ao realizar a compra de uma peça de roupa e 29% consideram a sustentabilidade um fator importante ao vender roupas seminovas – esse movimento tem uma forte relação com o comportamento do público mais jovem, que acaba impactando também quem está ao seu redor.

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O Enjoei cresceu significativamente desde sua fundação. Quais estratégias de marketing e expansão foram mais eficazes para impulsionar o crescimento da plataforma?

O crescimento significativo do Enjoei desde sua fundação pode ser atribuído a uma combinação de estratégias. A comunicação com um tom leve e informal e a forte identidade visual fizeram sucesso desde o começo. Depois vieram as lojinhas das celebridades, bazares e iniciativas com parceiros, que nos impulsionaram ainda mais. Mais recentemente, expandimos a atuação do negócio e nos consolidamos como Grupo Enjoei, a partir das aquisições do portal Elo7 e de parte da rede de lojas de segunda mão de itens infantis Cresci e Perdi, que chegaram para reforçar o alcance das plataformas, explorando a sinergia de audiências e ao mesmo tempo atingindo públicos e mercados diferentes dos que estávamos até então. Ainda nesse semestre vamos fazer nossa estreia no universo das lojas físicas, integrando a experiência do online que o consumidor já conhece com a experiência presencial, em uma atuação que aposta ainda mais no omnichannel.

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Considerando seu papel como mulher influente na indústria de tecnologia, quais inovações tecnológicas você vê moldando o futuro do comércio de segunda mão?

O Enjoei foi pioneiro ao criar a primeira plataforma de venda de peças de segunda mão do Brasil, apostando na tecnologia para potencializar e democratizar uma prática de se desfazer de itens usados que já era comum no Brasil, mas ficava restrita aos grupos da família e dos amigos. No Enjoei, nós acreditamos que as inovações que vão influenciar o mercado são aquelas que permitem processos mais sustentáveis, práticos e acessíveis para todos. Há um esforço constante para identificar e implementar melhorias na usabilidade da plataforma, tanto para quem vende, como para quem compra – temos funcionalidades que, entre outras coisas, otimizam a criação de anúncios, garantem visibilidade extra na plataforma e facilitam a logística de envio dos pedidos.

Um exemplo disso é o Enjubook, um recurso que permite a criação de um anúncio automático para a venda de livros apenas escaneando o código de barras na contracapa. Já a entrega de uma venda feita hoje pelo Enjoei se dá praticamente sem o uso de papel impresso, com uso de um QR Code que é apresentado pelo vendedor à transportadora, pelo qual já é possível identificar todos os dados daquela transação. Quem compra uma peça pelo Enjoei e quer revender pode simplesmente “republicar” o anúncio original, sem a necessidade de criar um novo. Essas são algumas das melhorias recentes facilitadas pela tecnologia no Enjoei.

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Diante do cenário competitivo no mercado de revenda online, quais são os principais diferenciais do Enjoei e quais são suas perspectivas para o futuro da empresa?

Nos orgulhamos em sermos uma das primeiras companhias a apostar em um mercado de alto potencial de crescimento, enxergando na venda de peças de segunda mão uma tendência quando ninguém mais via e criando uma plataforma que é referência no segmento. Nós inovamos ao transformar a venda de itens usados em negócio permitindo a obtenção de renda extra, ao trazer as lojinhas de celebridades para todo o público e ao trabalhar em parceria com marcas de moda para o lançamento de coleções com peças upcycled e exclusivas. Nosso próximo passo é a convergência do mundo físico e o digital, levando também para as lojas presenciais o Enjoei que o público só vivenciou até então no online, passando a atuar em um mercado que reúne mais de 120 mil lojas de produtos second hand no Brasil.