Negócios & Transações

Filasa 2026: Análise de riscos ganha protagonismo nas operações de M&A

Representantes da Clariens, Serasa Experian, Coelho Araújo Lobo da Costa, se reúnem em painel do FILASA 2026 para debater como avaliar riscos em M&A com moderação da Control Risks

As transformações no mercado de fusões e aquisições (M&A) e o aumento da complexidade dos riscos empresariais pautaram o painel “Blindagem Estratégica: Gestão de Riscos Reputacionais e Legais em M&A’s”, realizado durante a 7ª edição do FILASA (Financial & Legal Innovation Summit & Awards). O encontro reuniu especialistas para debater como os processos de avaliação de riscos deixaram de se concentrar apenas em aspectos documentais e financeiros, passando a incorporar temas como governança corporativa, compliance, reputação e perenidade dos negócios.

Com mediação de Paula Leite, diretora da Control Risks, o debate contou com a participação de Mariana Pacini, diretora Jurídica & Compliance da Clariens; Marina Coelho Araújo, sócia da Coelho Araújo Lobo da Costa, vice-presidente do IASP e coordenadora no Insper; e Luciana Silveira, gerente sênior de Compliance da Serasa Experian.

Due diligence amplia escopo de avaliação

Ao abordar a evolução dos processos de diligência em operações societárias, Mariana Pacini destacou que a análise tradicional focada em documentos, ativos e demonstrações financeiras continua relevante, mas já não oferece, sozinha, uma visão completa dos riscos envolvidos em uma transação.

Segundo a executiva, fatores como integridade corporativa, proteção de dados, cibersegurança, cultura organizacional e reputação passaram a ocupar posição estratégica na análise das empresas-alvo.

 “Hoje a minha visão mudou de uma análise puramente documental para uma análise de sustentabilidade do negócio, da sua capacidade de integração e de uma visão muito mais estratégica”, afirmou.

Pacini ressaltou ainda, que aspectos ligados à governança e ao perfil das lideranças merecem atenção especial, uma vez que esses profissionais frequentemente permanecem após a conclusão da transação e exercem influência direta no processo de integração.

Riscos penais demandam monitoramento preventivo

Durante o painel, Marina Coelho Araújo destacou que a avaliação de riscos penais vem assumindo importância crescente nas operações de M&A, acompanhando a evolução das práticas de governança e conformidade corporativa.

A especialista explicou que a responsabilização penal no Brasil está vinculada aos gestores responsáveis pela condução da empresa, tornando indispensável a formalização adequada das etapas de transição societária. “O risco penal é uma fotografia: quem está na gestão é quem responde pelo que está acontecendo”.

Segundo ela, a ausência de registros claros sobre a mudança de controle pode gerar dúvidas futuras quanto à atribuição de responsabilidades por atos praticados antes da aquisição. Coelho também chamou atenção para os passivos ambientais, que podem resultar em sucessão de responsabilidades mesmo após a concretização do negócio. 

“É fundamental colocar no papel o risco penal ambiental da empresa. Esse é um ponto que pode gerar sucessão de responsabilidade mesmo após a compra”, complementou.

Reputação e compliance atuam de forma complementar

A ampliação da due diligence também foi abordada por Luciana Silveira, que destacou o papel da análise reputacional como ferramenta de apoio à tomada de decisões estratégicas.

Na opinião da executivada, esse trabalho deve ir além do monitoramento de notícias negativas ou manifestações públicas, conectando informações relacionadas a produtos, serviços, tecnologia, recursos humanos, marketing e experiência dos clientes. “O objetivo é compreender a causa raiz das percepções e riscos identificados e conectar esses achados às demais diligências realizadas ao longo da operação”, explicou.

Na avaliação da especialista, a integração entre compliance, governança e gestão de riscos permite uma visão mais abrangente da empresa analisada, contribuindo para a identificação dos impactos potenciais e para a construção de estratégias de mitigação mais eficientes. Segundo Silveira, “quanto mais entendemos que os riscos são interconectados, mais conseguimos mensurar adequadamente seus impactos e definir estratégias de mitigação”.

Visão multidisciplinar fortalece M&A

Ao longo do debate, os especialistas reforçaram que a due diligence moderna ultrapassou os limites da análise jurídica e financeira tradicional. Aspectos relacionados à integridade, cultura organizacional, reputação, governança e gestão de riscos passaram a compor uma avaliação mais ampla das empresas, oferecendo maior segurança aos investidores.

O painel evidenciou que, em um ambiente corporativo cada vez mais dinâmico e complexo, a capacidade de antecipar riscos e compreender suas interdependências tornou-se um diferencial para a realização de operações mais seguras, sustentáveis e alinhadas às estratégias de crescimento das organizações.